sexta-feira, 19 de dezembro de 2025
quinta-feira, 4 de setembro de 2025
apagando emails antigos
constato a beleza dos encontros.
desconfio da aleatoriedade
no fim da linha
Ben Webster e Teddy Wilson tocando my funny valentine
quanto pude ser arredio?
evasivo aos meus proprios sentimentos e calado
sangrei até perder a humanidade
e hoje ando leve e vazio
cauterizada em minha ludicidade
pureza e dor que se esconde
minha primeira amiga
impossível quanto a felicidade
segunda-feira, 11 de agosto de 2025
Sorte e Matéria
tomado à sua presença
suspenso mergulho em teus olhos
perplexo a tal paradoxo
do curso dessa existência
meu braço eriçado sucumbe
ao riso mais puro da aurora
desejo incauto de agora
em lastro ao futuro se funde
o vento que afaga a pele
sugere uma amálgama nossa
e a bossa que nasce em teus lábios
consola-me a certa distância
despeço-me absorvido
preparo uma nova estratégia
ao homem que morre e renasce
a sorte não traz a matéria
de noite aprecio memórias
encaixo possíveis desfechos
um beijo, um sorriso ou recusa
adormeço em tal devaneio
a noite aprofunda a clareza
beleza milagre encontro
a sorte é ensejo no tempo
amanheço alegre e atento
domingo, 27 de julho de 2025
quarta-feira, 23 de julho de 2025
domingo, 29 de junho de 2025
No barulho há um portal. De forma indesejável e inconveniente, esse portal no barulho e também no silêncio. Por mais que se racionalize e que haja toda espécie de sermão, doutrina ou orientação, persiste o portal. A cada dia ele me engole um pouco mais, pois há mais passado que futuro. Assim que dissocio do presente, suspenso e surdo, apenas a poeira que reflete a luz do sol me conecta à realidade.
terça-feira, 17 de junho de 2025
sexta-feira, 11 de abril de 2025
segunda-feira, 31 de março de 2025
Aqui novamente
Para te dizer que jamais tive razão. E ainda hoje flashes de sorrisos invadem minha febre. Porque eu nunca soube construir de outra forma, e isso serviu apenas à poesia, esqueci a gramática e a ortografia em detrimento dela, empobreci e cortei minhas raízes.
Tô aqui hoje pra dizer que, embora a poesia tenha livrado minha cara de um suicídio, não devo mais nada a ela, nem a você. Espero que você se sinta bem em saber que a poesia pode ser esquecida em um sebo no centro, ou servir de asilo num hotel sujo no centro oeste.
Eu nunca participei disso, você sabe. A poesia só me deu a mão pro abismo que é você. Tudo isso é a mesma coisa, olhando febril o céu azulado e sorrisos cortados por flashes de lucidez.
Te procuro na feira da Santa Cecília apenas pra te pedir, se posso finalmente ir embora. Eu não tenho mais problema em ficar sozinho, não consigo mais me esconder porque tudo está absolutamente claro. Estou longe de mais de tudo nesse espaço-você-poesia, estou cansado.
segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025
será que se eu escrever errado você me nota?
ou se alguém te falar que eu sou um lixo você bota fé?
ainda não encontrei nada para justificar a dor do desengano, por isso mesmo vou esparramando-a por aí
quem entra pela porta, se torna parte. até partir e deixar fração. seu quinhão também carrega por vezes até fé cega nalgo que inexiste
todos tem palpite eu tenho palpitação
desde o ventre até a parição na primeira viagem do ultimo vagão
vou me embora antes de grudar no chão
os planetas são plantados no espaço
sem plateia radicela me calço
de você me resta só desembaraço
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
desperdício
sexta-feira, 31 de janeiro de 2025
A força que deveria revelar-se no instante de partir para te preservar tornou-se opaca.
E o ultimo ensejo embriagou-me no gole de alcool sem perceber nada além da própria dor.
Egoísta por tentar ter pra sempre e preso na ilusão que cobra a sanidade.
esperando por longos anos, uma intersecção.
nao há como livrar-se do teatro e o personagem ainda me persegue. um produto da relação de pelo menos duas potências fundamentais. e soma-se infindas existências que se absorvem. agora depois de mil pensamentos cozinhando batata doce, ouvindo o ronronar do vizinho bebado e sua esposa possessa. penso em você