quinta-feira, 23 de abril de 2026

Quando

A vida pesou.

Seu medo tornou-se meu.

Eu, um personagem. 

Aquele que serve ao arquétipo que você buscou. Impossível de crer e assim acaba por não existir.

Quando cruzamos o deserto, esgotado cai sem sentidos. Mas você precisava chegar ao oásis. 

No deserto continuo. Me arrasto e assim sigo.

Envio uma mensagem que você ignora por achar que estiou morto.

Talvez eu esteja mesmo. Mas posso renascer, pelo menos mais uma vez.

Tento te odiar. Tento esclarecer que você jamais se entregou. Tento entender o sentimento volátil o sentimento mutável e o que foi de fato concreto.

Te amo na medida de afastar me cada vez mais.

Hoje já não bastam 50km. É preciso um continente, uma galáxia...


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

ninguém

você jamais foi capaz de criar o caos. ele apenas emerge eventualmente no desespero do erro.

novamente. repetidamente. sou forte digo, por mais um instante. 

uma distancia que jamais foi rompida, um estrangeiro que jamais foi compreendido além do medo.

estrangeiro no próprio roteiro e no "spin off" que você escreveu.

eu não gosto de ficar sozinho, deve ser por isso que contiuo só.

vocês me ensinaram sobre a dor, sobre carregar o próprio fardo de existir.

e por não saber como existir criei um grande espaço na memória.

em declínio cognitivo, em delírio individual, assim vou me perdendo.

não é culpa de ninguém.

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

você diz

 apesar dos habitantes do córrego e seu torpor em alerta. 


do alcoólatra que paga sua dívida com o tempo... 

dos filmes que rezam a história. 

do credor que te molesta.  


apesar de derreter no asfalto quente e verter no cerne etílico a superfície.


apesar de estar pagando toda conta do genocídio em tola crença de existir em divindade. 


Apesar da cidade que te cospe a algum contato, além da imaginação...


você diz estar em paz.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

quatro décadas.
algo quase mudou.
aumento de amostragem.

você, que ocupa o espaço da quimera.
não há retorno eterno, só etéreo.
assim recaio.

nascido para o mal.
destruo o que planejei.
faço o bem e te quero por ser mau.

uso verbo defectivo
pois nada expressa.
desbasto a mim e nada me basta.

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

apagando emails antigos

constato a beleza dos encontros.

desconfio da aleatoriedade

no fim da linha

Ben Webster e Teddy Wilson tocando my funny valentine

quanto pude ser arredio?

evasivo aos meus proprios sentimentos e calado

sangrei até perder a humanidade

e hoje ando leve e vazio

cauterizada em minha ludicidade

pureza e dor que se esconde

minha primeira amiga

impossível quanto a felicidade

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Sorte e Matéria

tomado à sua presença 

suspenso mergulho em teus olhos 

perplexo a tal paradoxo

do curso dessa existência 


meu braço eriçado sucumbe

ao riso mais puro da aurora

desejo incauto de agora

em lastro ao futuro se funde


o vento que afaga a pele

sugere uma amálgama nossa

e a bossa que nasce em teus lábios 

consola-me a certa distância 


despeço-me absorvido 

preparo uma nova estratégia 

ao homem que morre e renasce

a sorte não traz a matéria 


de noite aprecio memórias

encaixo possíveis desfechos

um beijo, um sorriso ou recusa

adormeço em tal devaneio


a noite aprofunda a clareza

beleza milagre encontro

a sorte é ensejo no tempo

amanheço alegre e atento

domingo, 27 de julho de 2025

o estar dissolve

imerso em graça

no tempo esparso

em escasso ensejo


na noite vasta

permeio o espaço

desejo inato

enlaço incauto