sexta-feira, 20 de março de 2015

imagem desconstruída.
rígida, intransponível
o teu rio que seca junto com as lágrimas
é agora um abismo na lembrança
o buraco em que as imagens pairam
uma utopia.
a vida é curta pra alcançar
o ponto ideal, onde as idéias se encontram.
tropecei no propósito e você não sabe.
que cai no chão
porque sabia que teu coração era bom.
teu coração sempre vai ser.
mas agora eu também que cresço
não espero
nem pretendo
tropeçar
pra que você me olhe.

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

14 minutos

que tenho pra escrever e me lembram daquela casa -  que  passei em frente esses tempos - depois da tua fotografia bombardear minhas lembranças e chover trovoar como nunca antes na minha vida seca
tento coisas novas e mais complicadas sorrio com os dentes desalinhados pra todo mundo e acordo cedo como nunca - estou sempre a mil sativo e altista quero roubar cada palavra tua e não adianta pois agora são todas  minhas e isto é tudo, nada terá a mesma importância como quando você tentou vestir a roupa mas te vi no escuro. a cronologia estourou. meu lugar secreto é de pensar em pássaros de escrever nos galhos mais altos - que um dia estará lá de um jeito mais leve - sem tentativas ou desvios - um desatino ou uma perda de hora - qualquer variável não cogitada

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

moro numa jaula. vago pelas ruas dum bairro bacana de São Bernardo. sou multado duas vezes na estrada das lágrimas e na anchieta. velocidade. moro numa jaula e tenho uma carro preto desbotado que não é meu. a rua piauí desemboca na consolação e a Maceió volta pra angélica, ali em higienópolis é como se eu tivesse num outro mundo. eu e o santanão, ambos desbotados e sem emblema. São Paulo se escondeu atras de um Rayban e no rádio só toca bosta. cumpro meu contrato pra consertar a merda do meu dentista e volto. desesperar com umas peças de roupa, um disco que nunca foi terminado e o nariz entupido de porcaria. hoje eu quis realmente morrer. fiquei feliz quando senti aquelas pontadas no lado esquerdo. São Paulo me fudeu e agora tenho historia pra contar e uma mulher que quer me deixar. mas eu a deixei primeiro e ela foi pra João Pessoa sabe lá deus que babilonia louca a acolheu. enquanto isso eu ando porai, chego até sao caetano.ali na leste coisa da pesada e o tempo se arrasta. arranjo encrenca. mulher. ei de morrer de exaustão vou estudar agronomia ou comprar um rifle.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

uma mulher entrou no ônibus

a mas linda que já vi na vida
nos instante em que seus olhos caíram em cima de mim
não pude mais respirar
olho pro horizonte
me distraio
ela se aproxima
respiro fundo
olho
são 7 e 52
ela me olha também
penso
porque
eu e meu complexo de inferioridade
não vale um estorvo
então ela tira um telefone do bolso
alguém diria ser um sinal
mas ela desce no próximo ponto
e desço um pouco além
tenho horário
e vou pro interior
durmo no carro
respiro
ando pelo calçadão
não quero observar
as grifes
mas é meu trabalho
paro e sorrio
forçadamente
neste momento poderia tomar um lexotan
poderia sair de mim
pra descomplicar
tiro um pão com queijo do papel alumínio
iluminando a cabeça
vou para outra cidade
desatento e farto
sem entender quem gosto
e arrependido
sem pretensão de convencer ninguém
com alguma grana
não vejo objetivo
desejo a morte
vou vivendo
longe
dentro
de cara
absurdamente descontente com tudo
num calor desgraçado
engolindo fuligem
sem gostar de pensar

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Hoje eu vou abandonar meu senso de con·ve·ni·ên·ci·a  
e te procurar.
mas joguei meu celular no rio
estou otimista
acho que posso ser feliz
e isso é coisa de 15 minutos

caminhar com as mãos no bolso e um relatório comportamental
gestão de pessoas é uma coisa técnica e gregária
que você já transcendeu

deixa eu cozinhar pra você
te preparo panquecas
não vou tentar te convencer de nada
coloco um filme e te empresto um edredom

domingo, 14 de outubro de 2012

dimdim e suas bolinhas mágicas

anestesia emenda um sonho emana um som - maldição naqueles trapos era mulher mais bela minara de uma rocha tenta salvar-me grintando que sou um sociopata dimdim de-me um pouco disso em sua caixa metálica que prometo não ser mais assim

sábado, 15 de setembro de 2012

Por indelicadeza ou falta de sorte sei lá. melhor queimar as cartas ocultar qualquer manifestação e não tentar dançar. só preciso dum envelope com meio centímetro de papel dentro.