terça-feira, 13 de janeiro de 2026

você diz

 apesar dos habitantes do córrego e seu torpor em alerta. 


do alcoólatra que paga sua dívida com o tempo... 

dos filmes que rezam a história. 

do credor que te molesta.  


apesar de derreter no asfalto quente e verter no cerne etílico a superfície.


apesar de estar pagando toda conta do genocídio em tola crença de existir em divindade. 


Apesar da cidade que te cospe a algum contato, além da imaginação...


você diz estar em paz.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

quatro décadas.
algo quase mudou.
aumento de amostragem.

você, que ocupa o espaço da quimera.
não há retorno eterno, só etéreo.
assim recaio.

nascido para o mal.
destruo o que planejei.
faço o bem e te quero por ser mau.

uso verbo defectivo
pois nada expressa.
desbasto a mim e nada me basta.

quinta-feira, 4 de setembro de 2025

apagando emails antigos

constato a beleza dos encontros.

desconfio da aleatoriedade

no fim da linha

Ben Webster e Teddy Wilson tocando my funny valentine

quanto pude ser arredio?

evasivo aos meus proprios sentimentos e calado

sangrei até perder a humanidade

e hoje ando leve e vazio

cauterizada em minha ludicidade

pureza e dor que se esconde

minha primeira amiga

impossível quanto a felicidade

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Sorte e Matéria

tomado à sua presença 

suspenso mergulho em teus olhos 

perplexo a tal paradoxo

do curso dessa existência 


meu braço eriçado sucumbe

ao riso mais puro da aurora

desejo incauto de agora

em lastro ao futuro se funde


o vento que afaga a pele

sugere uma amálgama nossa

e a bossa que nasce em teus lábios 

consola-me a certa distância 


despeço-me absorvido 

preparo uma nova estratégia 

ao homem que morre e renasce

a sorte não traz a matéria 


de noite aprecio memórias

encaixo possíveis desfechos

um beijo, um sorriso ou recusa

adormeço em tal devaneio


a noite aprofunda a clareza

beleza milagre encontro

a sorte é ensejo no tempo

amanheço alegre e atento

domingo, 27 de julho de 2025

o estar dissolve

imerso em graça

no tempo esparso

em escasso ensejo


na noite vasta

permeio o espaço

desejo inato

enlaço incauto

quarta-feira, 23 de julho de 2025

o Não há de ser honesto 

em vão o talvez adestro

em verso iNverto o incerto

no cerne acerto a fuga


a ruga à fuga cede

na sede aqui sucumbe

o olho enfim fadiga

e o espaço aluga o tempo

domingo, 29 de junho de 2025

No barulho há um portal. De forma indesejável e inconveniente, esse portal no barulho e também no silêncio. Por mais que se racionalize e que haja toda espécie de sermão, doutrina ou orientação, persiste o portal. A cada dia ele me engole um pouco mais, pois há mais passado que futuro.  Assim que dissocio do presente, suspenso e surdo, apenas a poeira que reflete a luz do sol me conecta à realidade.