domingo, 1 de julho de 2012

Vi

O homem acocorado, com a mão no queixo olhava a lavoura. Como pode o feijão dormir numa noite de garoa pra depois rachar o solo seco como um milagre de imensidão verde? São quadros de feijões enfileirados, que crescem na terra arenosa, nutrindo-se a estrume de gado. A fava no milho se enrosca, nunca perde uma aurora. No Quilometro 77 Deus vai te perdoar. Você vai dormir, despertar com o luar quando a maresia arder. Olhar pro céu e ver, Júpiter, Mercúrio, Urano...

domingo, 13 de maio de 2012

entre as folhas que se espalham com um sopro do vento desatento procurando o chão que brota de um passo no vazio determinado ao próximo e fidedigno passo no encalço da dúvida peregrina voltando por cansaço indo por ir rindo por rir

domingo, 26 de junho de 2011

Querida, hoje eu só queria ouvir tua voz numa frase falha - em meio as gotas indecisas de jazz - conduzindo nossa dança até o quarto
Diria rijo de sóbrio
só num brilho de vodka - ademais não precisasse por nossos próprios corpos falando
sua roupa na mesa - todas as luzes acesas - um copo largado
porque amei seu corpo
por um golpe de sorte


em certa manhã de neblina
acordei sozinho
num recinto vazio
sonhando o mormaço

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Você podia vir de trem até Santo André.
O SAMU tem estado poraqui constantemente.
As pessoas aqui se jogam do quinto andar, tomam chumbinho , ou simplesmente passam da conta.
Ontem mataram o cobrador do 125 por engano.
Eu ando rápido de uma quebrada à outra, pra quando tu chegar, ter vinho do porto e um disco novo. porque estamos vivos baby e o mundo inteiro pirou.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Deus, me deixa aqui sentado nesse banco azul, vendo o metrô passar, um após o outro.
Me deixe fora de tudo
só te peço deus
me deixa quieto, eu tomo minha paradinha
e você não me enche o saco me priva dessa bosta
e eu continuo bem louco
estação após estação

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Eu sonhei que tava em casa. e eu sei disso pelo vento serrano que entrava pelas janelas largas fazendo dançar as cortinas.
No meu telefone havia uma mensagem na caixa postal.
Bom, eu não entendi direito o que dizia, sei que era a tua voz e que você havia tentando falar comigo, mas não conseguiu.
Saí correndo descalço em direção ao lugar mais alto.
Acho que é lá onde tenho tentado chegar.

domingo, 5 de setembro de 2010

A cinza já não pode ser queimada.
Cai no chão, repete-se a cena... não há nada atrás do quadro, nem palavra sã a expressar.
Houve amigos instantâneos, tinta vermelha ou algo em comum.
Não. Na verdade não, ninguém ta entendendo nada, nesse emaranhado de mentes e você pensa que é eu, ouve aquilo que fala em outra voz. Deveras repete as Mesmas palavras até trocando-as de lugar...
Com licença, isto não esteve certo.
- Sim, de certo foi tua, a autoria. Mas naquele dia que tua boca lia, na medida em que minha mão escrevia ... no papel a tinta borrava a maldita frase do teu maldito escrito.
Brinquei, mas ela não riu.
Proferiu nada mais que o silêncio.